Uso do Omeprazol e Riscos para Saúde

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O uso de medicamentos como Omeprazol e seus similares foi relacionado ao aumenta o risco de câncer no estômago. A informação foi obtida por meio de um estudo, que foi publicado na revista científica Gut (Leia aqui o Estudo). Esse tipo de medicamento é chamado de inibidor de bomba de próton (IBP) e diminui a produção de ácido por parte do estômago.

Por conta disso, os IBPs são usados no tratamento de inúmeras afecções do trato gastrointestinal tais como refluxo, gastrite e úlceras. Conduzida pela Universidade de Hong Kong e pela Universidade College London, a pesquisa encontrou que o uso desses medicamentos pode aumentar em 2,4 vezes as chances de câncer de estômago. O estudo é importante pois encontrou provável associação entre o uso contínuo do medicamente e o desenvolvimento do câncer de estômago mesmo após a retirada de uma bactéria que era considerada gatilho para o desenvolvimento da doença. Mesmo após a remoção da Helicobacter pylori as chances de câncer aumentaram conforme pacientes consumiam medicamentos do tipo IBP.

A pesquisa foi conduzida com mais de 63 mil adultos no Reino Unido. Para comparação, os pesquisadores dividiram o grupo em dois. Um dos grupos tomaria medicamentos do tipo IBP. O segundo seria medicado com bloqueadores H2, que também limitam a produção de ácido estomacal. Os pesquisadores encontraram que mesmo após a retirada da H pylori por meio de antibióticos, as chances de desenvolvimento de câncer aumentaram à medida que o grupo tomava IBPs.

Os números mostram que existe uma provável relação entre a recorrência na ingestão do remédio e as chances de câncer. Membros do grupo que ingeriu IBPs diariamente tiveram 5,44 vezes mais chances de câncer do que aqueles que tomavam o remédio apenas uma vez por semana. Após três anos ou mais de uso contínuo, o risco crescia até oito vezes.

Os números podem parecer alarmantes, porém na discussão do próprio artigo os autores vêem  tons mais cinzentos nessa associação, desta forma o que temos a orientar nossos pacientes são as recomendações abaixo:

1. Esse foi um estudo retrospectivo, observacional, não-randomizado, e como tal, deve ser analisado com muita atenção e cautela porque esse tipo de estudo pode sugerir associação mas não causa e efeito;

2. É fundamental entender que, nesse estudo, os dois grupos pesquisados (num usando IBP e noutro não) os pacientes não foram comparáveis em relação aos fatores de risco para câncer gástrico, tais como, dieta, história familiar e estado socioeconômico. Bem como, não foram avaliados outros fatores de aumento de prevalência do câncer gástrico, como, fumantes, uso excessivo de bebidas alcoólicas e obesidade;

3. Não há menção da avaliação histopatológica da mucosa gástrica nos pacientes de ambos os grupos, no início do estudo e no seu seguimento;

4. A incidência de câncer gástrico em Hong Kong é maior do que a no Brasil e uma das mais elevadas do mundo.

Os IBPs revolucionaram o tratamento das doenças ácido dependentes, trazendo resultados excelentes para a cura e a qualidade de vida dos seus portadores. Foi comprovado também, que os principais efeitos colaterais dos IBPs estão relacionados à dose total utilizada nos tratamentos.

O que temos como palavra final? Inicialmente, calma. Quem está usando qualquer medicação dessa classe (omeprazol, pantoprazol, esomeprazol, etc.) mantenha seu tratamento e converse com seu médico sobre a relação custo benefício da utilização do mesmo. Somente um especialista (Gastroenterologista) poderá avaliar a necessidade e indicação desta medicação conforme seu quadro clínico e fatores de risco.

Pedra na Vesícula : Quando a Cirurgia é Necessária?

 

Cálculo de Vesícula Biliar ( Colelitíase )

Vamos neste post esclarecer as principais dúvidas relacionadas a esta doença.

1. O que é a PEDRA NA VESÍCULA ?

A   Colelitíase (Termo Popular = Pedra na Vesícula)  é a formação de cálculos (pedras) no interior da vesícula biliar (90% dos casos) ou dos ductos biliares (nestes casos chamdos de coledocolitíase). Nos últimos anos tem havido aumento da incidência e do diagnóstico desta doença. Com o uso cada vez maior da ultra-sonografia abdominal em exames de rotina ou check-up, muitos casos de cálculos em vesícula biliar têm sido diagnosticados, mesmo antes do paciente apresentar qualquer sintoma. Os tipos de cálculos mais comuns são os de colesterol (90%), e em segundo lugar os de bilirrubina (10%), que ocorrem em pessoas portadoras de alguns tipos de anemia ou com deficiência do metabolismo da bilirrubina (pigmento metabolizado pelo fígado).

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2. Esta doença é frequente e quando ela ocorre ?

    Os estudos têm demonstrado claramente um aumento da incidência de cálculos biliares com o passar da idade (principalmente acima de 40 anos) . Embora rara na população pediátrica, as crianças com distúrbios hematológicos (alguns tipos de anemia), e com dificuldade de absorção de sais biliares estão predispostas à formação de cálculos biliares. A calculose biliar é mais comum em entre as mulheres, e deve estar ligado a fatores hormonais, já que há um aumento do número de casos com a gravidez. Esta variação hormonal alteraria a motilidade da vesícula biliar, causando uma dificuldade de esvaziamento, assim como a alteração do metabolismo do colesterol. A obesidade também é um fator de risco, já que nestes pacientes há um aumento da concentração de colesterol. A diabetes também causa um aumento na incidência dos cálculos na vesícula biliar, devido a uma supersaturação do colesterol. Aproximadamente 10% da população acima de 20 anos de idade apresenta cálculo na vesícula biliar.

 3. Dr. quais são os Sintomas mais comuns?

A presença de cálculos na vesícula biliar pode se manifestar de várias maneiras, sendo que muitos pacientes são assintomáticos (mais de 50%) por vários anos. Nos casos sintomáticos, a obstrução do ducto da vesícula biliar por um cálculo pode causar dor no abdome, principalmente do lado direito próximo às costelas, conhecida como cólica biliar. A cólica é causada pela contração da vesícula biliar contra a resistência imposta pela obstrução do ducto, e classicamente surge de 30 a 60 minutos depois das refeições. Caso a obstrução persista, pode haver a evolução para uma inflamação aguda da vesícula biliar (colecistite aguda). A calculose biliar também pode se apresentar como “má” digestão, desconforto abdominal vago, náuseas e vômitos, ou até mesmo excesso de flatulência. Este quadro tende a piorar com a ingestão de alimentos gordurosos, mas todos os alimentos podem desencadear sintomas.

4. Como posso saber se tenho PEDRA NA VESÍCULA?

A ultra-sonografia do abdome superior é o método de escolha para a avaliação de pacientes com suspeita de cálculos biliares, e apresenta um índice de acerto de 95 a 99%. Tem como vantagens, além da eficácia, ser um método não invasivo (sem anestesia ou contraste), sem irradiação, razoavelmente barato e desprovido de efeitos colaterais.  Os exames laboratoriais podem mostrar a alteração de enzimas do fígado e dos ductos biliares. O hemograma completo estará alterado no caso de infecção.

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5. Quais são os riscos desta doença ?

De todos os pacientes portadores de cálculos biliares, de 15 a 20% apresentarão complicações mais graves devido aos cálculos biliares. Estas complicações podem ser referentes à obstrução da vesícula por cálculos maiores, como a colecistite aguda, ou devido à migração dos cálculos biliares pequenos da vesícula para os ductos biliares, como a coledocolitíase, a colangite aguda supurativa e a pancreatite aguda biliar. Um outro risco associado à presença de cálculos de vesícula biliar, em especial acima de 3 cm, é o desenvolvimento de câncer de vesícula á longo prazo.

A colecistite aguda é a complicação mais comum do cálculo de vesícula. Ela ocorre devido à implantação do cálculo biliar na saída da vesícula biliar, causando a obstrução persistente da vesícula, e conseqüente inflamação e infecção. As características da dor da colecistite aguda são parecidas com a da cólica biliar, no entanto, de maior intensidade, o que a difere da cólica biliar, e que pode persistir por alguns dias. Os sintomas se completam com náusea, vômito, anorexia (perda do apetite) e febre. A ultra-sonografia mostra, além dos cálculos no interior da vesícula, um espessamento da parede (devido à inflamação) e distensão (devido à obstrução) da vesícula biliar. O tratamento consiste na ressecção da vesícula biliar e a administração de antibióticos.

Coledocolitíase é o nome dado à impactação de cálculos biliares no ducto biliar fora da vesícula (este ducto é chamado de colédoco). Na sua grande maioria, estes cálculos são originários da vesícula biliar, que migram para o ducto colédoco. Os sintomas são dor abdominal em cólica, que pode ser contínua ou intermitente, associado à náusea e vômitos. Dependendo da intensidade da obstrução do ducto colédoco, os pacientes apresentarão icterícia (coloração amarelada na pele e olhos) e urina escura (cor de “chá mate”). A icterícia ocorre devido ao acúmulo de líquido biliar que não foi esvaziado do ducto colédoco devido à obstrução. O tratamento se inicia com a retirada do cálculo do ducto colédoco através de endoscopia digestiva ou durante o procedimento cirúrgico, seguido da ressecção da vesícula biliar, que é a formadora dos cálculos.

A colangite aguda supurativa é a infecção do ducto biliar causada pela impactação do cálculo no ducto colédoco. Os sintomas são febre, icterícia e dor abdominal. Nos pacientes com infecção grave, pode haver alteração da pressão sangüínea e do pulso, assim como confusão mental. Os pacientes com colangite devem ser internados de forma urgente, devido ao risco de sepse (infecção generalizada). O tratamento inicial é realizado com a administração de antibióticos e hidratação. A seguir, como na coledocolitíase, o cálculo dever ser retirado do ducto biliar (colédoco). A ressecção da vesícula também deve ser realizada.

A pancreatite aguda biliar é a inflamação do pâncreas. Esta doença decorre da obstrução do ducto do pâncreas por um cálculo que migrou da vesícula. Os sintomas são dor abdominal forte, febre, náusea e vômito, além de distensão abdominal. Em alguns casos a pancreatite pode ser severa, causando necrose e hemorragia do pâncreas, com risco de morte evidente. O paciente será submetido à ressecção do cálculo, assim como nos casos anteriores. A retirada da vesícula biliar é realizada após a melhora dos sintomas da pancreatite.

O câncer da vesícula biliar é reconhecido como uma complicação potencial dos pacientes com cálculos em vesícula. Em particular, esta complicação é mais freqüente em pacientes com cálculos únicos e grandes (principalmente os maiores que três centímetros). De 70 a 90% dos pacientes com câncer de vesícula apresentam cálculo biliar, e 0,4% de todos os pacientes com cálculo de vesícula apresentarão como complicação da doença o desenvolvimento do câncer na vesícula biliar.

6. Qual o Tratamento da Pedra na Vesícula?

Devido ao quadro clínico da calculose da vesícula biliar, e dos riscos de complicações sérias, tenho como rotina em meus pacientes, pela ressecção (retirada) da vesícula biliar em pacientes sintomáticos e/ou com cálculos múltiplos e pequenos (risco de migração do cálculo). Nos pacientes assintomáticos e com cálculo único, a conduta não cirúrgica e o acompanhamento clínico devem ser a regra.  O tratamento da calculose biliar consiste na ressecção (retirada) da vesícula biliar juntamente com as pedras. Atualmente o método utilizado é a cirurgia vídeo-laparoscópica. Neste método, são realizadas quatro pequenas incisões (cortes) no abdome do paciente, por onde são introduzidas as pinças e a câmera de vídeo. O cirurgião realiza o procedimento através de um monitor posicionado ao lado do paciente. As vantagens da cirurgia vídeo-laparoscópica são inúmeras. A recuperação é rápida, já que a dor é mínima, por não haver uma grande incisão (corte). Isto permite que os pacientes retornem às suas atividades profissionais no menor tempo possível. O efeito estético também é bom, porque as incisões apresentam dimensões pequenas (variam de 0,5cm a 1cm). Em geral, os pacientes recebem alta hospitalar no dia seguinte ao da cirurgia.

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Intolerância á Lactose

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Doutor o que é LACTOSE? 

Os  carboidratos  são  macronutrientes  essenciais  para  uma  alimentação equilibrada e saudável,  sua proporção  deve  variar  entre  40%  a  55%  do  total  ingerido. O tipo de carboidrato utilizado em uma alimentação varia conforme as escolhas  alimentares.  A  lactose  é  um  deles. É  um  dissacarídeo  muito comum em nossa alimentação, em especial a brasileira, advindo do leite integral de vaca e de seus derivados. Esse dissacarídeo é composto por 2 monossacarídeos: a glicose e a galactose. Porém, para a digestão e absorção  completa  da  lactose,  há  necessidade  de  plena  atividade  das enzimas digestivas. Para isso, o organismo lança mão de duas enzimas, a  amilase  salivar  e  a  lactase.  Os  produtos  desta  digestão  (glicose  e galactose)  são  totalmente  absorvidos  no  intestino  delgado  e  vão  para corrente sanguínea.

Qual a importância da Intolerância á Lactose?

a  intolerância  à  lactose,  causada  pela  deficiência da enzima lactase responsável pela hidrólise (quebra-digestão) da lactose. Estudos  realizados  no  Brasil,  demonstraram que aproximadamente 75% dos adultos apresentam algum grau de intolerância  à  lactose,  com  sintomas  clínicos  característicos  de  dores abdominais, flatulência, distensão abdominal e diarreia.

A intolerância á Lactose é uma doença comum?

A  deficiência  de  lactase  ocorre  em  cerca  de  75%  dos indivíduos adultos em todos os grupos étnicos estudados, exceto nos de origem do noroeste da Europa, onde a incidência nos adultos é menor que 20%. Isto ocorre gradualmente ao término da infância e atinge seu pico de incidência na 2ª década de vida.

Quais os sintomas mais comuns?

Os  sintomas  e  sinais  da  intolerância  à  lactose  são  semelhantes  a qualquer outra deficiência enzimática especifica. A  criança  que  não  metaboliza  a  lactose  terá  diarréia  e  poderá  não ganhar  peso.  O  adulto  apresentará  borborigmo (meteorismo),  distensão  abdominal (empachamento), flatulência, náuseas, diarréia e cólicas abdominais. Mesmo quando  somente  a  absorção  de  lactose  está  diretamente prejudicada  pela  deficiência  da  lactase,  a  diarréia  resultante  pode  ser intensa, o suficiente para eliminar os outros nutrientes antes que eles possam ser absorvidos, podendo provocar a desnutrição.

Quais exames preciso fazer para o Diagnóstico ?

Após avaliação especializada, serão solicitados exames específicos para o diagnóstico diferencial desta afecção. Geralmente pela realização de avaliações bioquímicas, e em alguns casos exames endoscópicos e radiológicos.

Existe tratamento ?

Não há tratamento para aumentar a capacidade de produzir lactase, mas os sintomas podem ser controlados por meio de orientação nutricional, reposição enzimática e medicamentos sintomáticos.

LEMBRE-SE PROCURE SEMPRE UM MÉDICO ESPECIALISTA

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Doença do Refluxo Gastroesofágico : Quando está indicado o TRATAMENTO CIRÚRGICO ?

O que é a Doença do Refluxo (DRGE)?

O Refluxo gastroesofágico é o retorno do conteúdo do estômago, como o suco gástrico (ácido) e alimentos, para o esôfago. Quando este refluxo se apresenta de forma intensa e em vários episódios durante o dia, ele é chamado de refluxo gastroesofágico patológico. A doença do refluxo gastroesofágico ocorre devido ao funcionamento precário dos mecanismos anti-refluxo. O refluxo gastroesofágico apresenta uma grande incidência na população, e pode ou não apresentar sintomas, e estar ou não associado a outras doenças, como a hérnia de hiato. O refluxo gastroesofágico corresponde a 75% das doenças do esôfago. A hérnia de hiato é o deslizamento do estômago em direção ao esôfago, sendo que esta alteração anatômica ocorre devido à diferença entre a alta pressão dentro do abdome em relação à baixa pressão dentro do tórax. Acredita-se que a incidência de hérnia de hiato seja de 5 casos para cada 1000 habitantes. A presença da hérnia de hiato confirma a fraqueza da musculatura do diafragma, que é responsável pela manutenção do mecanismo anti-refluxo.


Quais são os sintomas e como é feito o Diagnóstico?

Os sintomas da doença do refluxo gastroesofágico podem ser mínimos, ou mesmo estarem ausentes. Nos casos com queixas mais evidentes, os pacientes referem queimação ou dor no tórax, azia e refluxo de suco gástrico até a boca (regurgitação). Os sintomas tendem a piorar após as refeições e ao se deitar, e alguns pacientes chegam a despertar do sono assustados e engasgados . Desta forma, é muito comum que os pacientes excluam o jantar, ou o realizem muito cedo, evitando assim o refluxo durante a noite.  Alguns pacientes apresentam sintomas atípicos, mas que devem ser lembrados, como rouquidão, tosse seca, asma, sinusite, náusea e vômitos.

O diagnóstico da doença do refluxo gastroesofágica é baseado em quatro exames: a endoscopia digestiva alta, a pHmetria esofágica, a manometria esofágica e a esôfago-estômago-duodenografia (Raio X).  A endoscopia digestiva alta é um exame de imagem, em que é possível se visualizar a inflamação do esôfago (esofagite), decorrente da exposição prolongada da mucosa do esôfago ao suco gástrico, assim como a presença de lesões pré-malignas decorrentes desta inflamação crônica. Além disso, avalia a presença de hérnia de hiato. Outra função importante da endoscopia digestiva alta é permitir a realização de bióspsias.  A pHmetria esofágica realiza a medição do pH (acidez) do esôfago durante 24 horas, através de uma pequena sonda introduzida pelo nariz do paciente. Desta forma avalia, de acordo com a acidez do esôfago, o número e a intensidade dos episódios de refluxo durante todo o dia. De acordo com os dados colhidos, é possível dizer com certeza se o paciente é ou não portador de refluxo gastroesofágico patológico. A manometria esofágica mede a pressão da musculatura da região esôfago-gástrica (esfíncter esofagiano). Esta musculatura exerce um mecanismo anti-refluxo, e quando ocorre a sua fraqueza, o paciente apresenta a predisposição ao refluxo.   A esôfago-estômago-duodenografia é um exame radiológico (Raio X) em que o paciente ingere contraste e é radiografado em diferentes posições. O exame tem como objetivo avaliar o refluxo do contraste ingerido, do estômago para o esôfago.

Qual o risco desta doença ?

A inflamação crônica do esôfago (esofagite) é causada pelo refluxo de ácido do estômago para o esôfago. Nos casos mais leves, a esofagite é auto-limitada. No entanto, nos casos em que o refluxo é persistente, a mucosa do esôfago tende a passar por modificações para uma melhor adaptação à presença contínua do ácido. Desta forma, a mucosa do esôfago troca de tecido por um mais resistente ao ácido, processo este conhecido como metaplasia, e a este novo tecido dá-se o nome de esôfago de Barret. A confirmação da presença do esôfago de Barret se realiza através da visualização pela endoscopia digestiva, e através e exame anátomo-patológico (biópsia). O grande problema do esôfago de Barret é que este é um tecido pré-maligno, ou seja, pode evoluir para o câncer de esôfago caso nenhum tratamento seja instituído, e o refluxo persista. Segundo a literatura médica atual, o único método capaz de evitar a progressão do esôfago de Barret para o câncer é a cirurgia para o tratamento do refluxo gastroesofágico.

Dr. Como é feito o tratamento e quando está indicada a Cirurgia?

A. Tratamento Clínico

O tratamento clínico está indicado nos casos mais leves e nos que não há a presença de lesões pré-malignas no esôfago. Este tratamento consiste na diminuição da produção de ácido pelo estômago através de remédios que inibam a formação do ácido. Desta forma, ocorre a diminuição da acidez no líquido refluído, e o esôfago tem a chance de apresentar melhora do processo inflamatório. Uma outra medicação utilizada são as drogas pró-cinéticas. Estas medicações têm como função fortalecer a musculatura do esôfago, além de promover um rápido esvaziamento do estômago, evitando assim, que haja tempo do suco gástrico refluir para o esôfago.

B. Tratamento Cirúrgico

O tratamento cirúrgico está indicado em pacientes que apresentem lesões esofágicas pré-malignas (esôfago de Barret) decorrentes do refluxo gastroesofágico, pacientes que mantém a sintomatologia do refluxo, mesmo durante o tratamento clínico, e nos pacientes que se tornaram dependentes de remédios por tempo indefinido, ou seja, só ficam livres dos sintomas enquanto estão fazendo uso de medicação. Nos meus pacientes, além de seguir estes critérios de indicação de cirurgia, faço questão de que haja comprovação do refluxo gastroesofágico patológico através da endoscopia digestiva, da pHmetria e da manometria esofágica. A realização destes exames é fundamental para que a melhor técnica cirúrgica seja aplicada em cada caso. Atualmente, o tratamento é realizado por via vídeo-laparoscópica, ou seja, através da introdução de pinças no abdome do paciente, sem a necessidade de uma grande incisão (corte). Desta forma, os pacientes apresentam uma recuperação mais rápida e menos dolorosa, podendo retornar mais rapidamente às suas atividades habituais. Além disso, o benefício estético é indiscutível. Os pacientes recebem alta hospitalar em dois a três dias. A cirurgia consiste no tratamento da hérnia de hiato, com a sutura (pontos) na porção do músculo diafragma que ficou mais fraca. Além disso, é confeccionada uma válvula anti-refluxo com o próprio estômago, tratando definitivamente o refluxo gastroesofágico.

 

 

Síndrome do Intestino Irritável

O QUE É

A Síndrome do Intestino Irritável (SII) é um termo aplicado a uma associação de sintomas, que consistem mais freqüentemente de dor abdominal, estufamento, constipação (“intestino preso”) e diarréia. Muitos pacientes com SII alternam diarréia com constipação. Pode haver muco presente junto às fezes.

Não se trata de um defeito anatômico ou estrutural. Não é uma desordem física ou química identificável. Não é um câncer e tampouco irá causá-lo. Não causa outras doenças gastrointestinais. Em palavras médicas, não há doença orgânica detectável.

A SII é uma desordem funcional do intestino. Não há sinal de doença que possa ser visto ou medido, mas o intestino não está funcionando normalmente. É um problema comum, afetando cerca de uma a cada cinco pessoas nos Estados Unidos, mais comum em mulheres, e mais freqüente em momentos de stress emocional. Geralmente tem início na fase de adolescência ou de adulto jovem, raramente aparecendo pela primeira vez após os 50 anos de idade.

O que parece ocorrer é uma associação entre um distúrbio da motilidade intestinal (as contrações musculares rítmicas dos intestinos que levam a comida digerida adiante) e uma percepção anormal de estímulos no intestino, que em pessoas sem o problema não acarretariam qualquer desconforto (por exemplo, pessoas com SII sentem desconforto decorrente da presença de volumes normais de gás dentro dos intestinos, coisa que indivíduos normais não sentem).

SINTOMAS

Quais os sintomas da SII?

Dor e desconforto abdominal associado com alterações nas fezes são os principais sintomas, os quais variam entre as pessoas. Pessoas apresentam constipação, outros diarréia ou ainda alternância entre diarréia e constipação. Alguns referem sensação de estufamento e distenção abdominal, decorrente da fermentação de gases no cólon.

A SII afeta os movimentos do cólon, o transporte de gases e fezes e a quantidade de líquido absorvido. Nos pacientes afetados, os movimentos do cólon podem estar aumentados, impulsionando muito rapidamente o bolo fecal, não permitindo a adequada absorção desse fluido, deixando as fezes com excesso de água, o que se manifesta como diarréia. Por outro lado, quando o intestino trabalha muito lentamente, comum na SII, as fezes ficam em contato por muito tempo com as paredes intestinais, favorecendo uma maior absorção de água, deixando-as endurecidas e secas, características da constipação intestinal.

Sangramento, febre, perda de peso e dor abdominal persistente e contínua não são sintomas da Síndrome e indicam outros problemas que precisam ser investigados.

Como a alimentação interfere nos sintomas da SII?

Para muitas pessoas com SII a atenção na escolha dos alimentos é fundamental. É importante anotar e avaliar diariamente quais são os alimentos que causam mais sintomas. Além das orientações sugeridas pelos médicos, uma orientação alimentar específica e personalizada ajuda muito no controle dos sintomas.

CAUSA

O que causa a SII?

O que leva uma pessoa a ter SII e outra não? Ainda ninguém sabe. Os sintomas não são causados por uma alteração orgânica específica (doença).Os estudos têm demonstrado que na verdade, o intestino destas pessoas parece ter uma sensibilidade aumentada (são mais sensíveis) a diferentes estímulos como determinados alimentos e a ansiedade (stress).

Abaixo estão listadas as principais teorias da SII: Os movimentos de propulsão do intestino (peristalse) parecem não funcionar adequadamente. Há contrações uniformes da musculatura (espasmos) ou mesmo a parada dos movimentos.

A camada superficial do intestino grosso é responsável pela troca de fluidos entre as fezes e o organismo. Em pacientes com SII,os movimentos do cólon podem estar aumentados, impulsionando muito rapidamente o bolo fecal, não permitindo a adequada absorção desse fluido, deixando as fezes com excesso de água, o que se manifesta como diarréia. Por outro lado, quando o intestino trabalha muito lentamente, comum na SII, as fezes ficam em contato por muito tempo com as paredes intestinais, favorecendo uma maior absorção de água , deixando-as endurecidas e secas, características da constipação intestinal.

Como o coração e os pulmões, o cólon é parcialmente controlado pelo sistema nervoso autônomo (não controlado pela nossa vontade), que comprovadamente sofre interferência do nosso estado emocional , como ansiedade e stress. Com isto pode trabalhar mais rápido, mais lentamente ou contrair de forma desordenada (espasmo).

Os seguintes fatos parecem estar ligados com piora dos sintomas:
Refeições volumosas
Grande quantidade de gases no intestino grosso
Medicamentos
Trigo, centeio, cevada, aveia, cereais, chocolate, leite e derivados, álcool
Bebidas que contém cafeína: café, chá e colas Estress, ansiedade, labilidade emocional
Pesquisas revelam que mulheres com a SII apresentam exarcebação dos sintomas no período menstrual, sugerindo relação com os hormônios femininos.

Como o estresse afeta a SII?

Estresse – sensação de cansaço físico e mental, preocupações, nervosismo – estimulam contrações (espasmos) no cólon de pessoas com a Síndrome do Intestino Irritável. O cólon possui uma vasta rede de nervos que se conectam com o cérebro. Esta via nervosa coordena o ritmo normal das contrações dos músculos do intestino grosso. Em situações de estresse, ansiedade, esta mesma via pode causar desconforto abdominal. Pessoas freqüentemente experimentam cólicas, desconforto abdominal ou até mesmo diarréia quando estão nervosas ou agitadas. Mas em portadores da SII, o cólon manifesta-se de maneira muito mais intensa a essas situações. Além disto, o estresse tende a deixar as pessoas mais sensíveis a determinados estímulos.

DIAGNÓSTICO

Como é feito o diagnóstico da SII?

O diagnóstico é feito tendo como base a história clínica e exame físico. Não há nenhum teste específico para confirmação da síndrome, na verdade, utilizam-se exames e testes laboratoriais para excluir outras doenças que possam ter sintomas semelhantes. Estes testes incluem exames de sangue e fezes, (endoscopia digestiva alta, colonoscopia (endoscopia digestiva baixa) e raio X especiais.

TRATAMENTO
Como é feito o tratamento da SII?

O tratamento da SII irá depender da aceitação dele. Na verdade o primeiro e grande objetivo é a conscientização do quadro, como ele ocorre,o que faz melhorar e piorar os sintomas e a tranqüilidade de que não evoluirá para doença grave. A partir deste ponto, da aceitação do quadro, o tratamento em si fica muito mais fácil.

Medicamentos são importantes para o alívio dos sintomas. Suplementos de fibras, às vezes laxantes, remédios para diarréia, calmantes, antiespasmódicos (para combater os espasmos do intestino) servem par melhorar muitos dos sintomas abdominais. Muitas vezes antidepressivos apresentam grande efeito calmante e analgésico, com boa resposta ao tratamento.

O que é “Esteatose Hepática”?

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Esteatose Hepática é um acúmulo de gordura nas células do fígado, também chamada de Infiltração gordurosa do fígado ou Doença gordurosa do fígado. Ela pode ser dividida em Doença gordurosa alcoólica do fígado (quando há abuso de bebida alcoólica) ou Doença gordurosa não alcoólica do fígado, quando não existe história de ingestão de álcool significativa.

Qual a causa da Esteatose Hepática?

A Esteatose pode ter várias causas:

  • Abuso de álcool;
  • Hepatites virais;
  • Diabetes;
  • Sobrepeso ou Obesidade;
  • Alterações dos lípides, como Colesterol ou Triglicérides elevados;
  • Drogas, como os corticoides e secundário a algumas cirurgias para obesidade.

Mais ou menos 1 de cada 5 pessoas com sobrepeso desenvolvem Esteato-hepatite não alcoólica.

Como a Esteatose Hepática é identificada?

O paciente pode apresentar alterações em exames de sangue relativos ao fígado (a Esteatose Hepática é a causa mais comum de elevação das enzimas do fígado em exames de sangue de rotina), aumento do fígado detectado ao exame físico realizado pelo médico, ou ainda por métodos de imagem, como a ultrassonografia de abdome, tomografia ou ressonância magnética. A Esteatose também pode ser suspeitada quando o paciente apresenta obesidade central (aumento do diâmetro da cintura em relação ao quadril).

A Esteatose Hepática pode evoluir para uma doença grave?

É um achado comum nos pacientes com sobrepeso, obesos ou diabéticos. Em parte desses pacientes uma inflamação das células hepáticas associada à esteatose pode estar presente, lembrando a hepatite alcoólica, e que é chamada de “Esteato-hepatite”. A Esteato-hepatite não alcoólica, se não controlada, tem o potencial de evoluir para a Cirrose Hepática em alguns pacientes. O paciente deve fazer exames para que seja avaliado o risco de progressão da doença.

A Esteatose Hepática pode ser tratada?

É importante saber que a Esteatose Hepática e Esteato-hepatite são doenças reversíveis. O manejo da esteatose requer a Identificação e possível tratamento específico da causa da infiltração gordurosa, bem como uma avaliação e orientação multidisciplinar, com acompanhamento médico e uso de medicamentos em casos especiais, acompanhamento nutricional e atividade física programada.

Como é realizado o diagnóstico?

No diagnóstico de esteatose hepática, o médico vai primariamente eliminar outras possíveis causas de doença hepática crônica, principalmente o abuso de álcool. Exames de sangue podem ser solicitados com o intuito de dosar as enzimas do fígado. As imagens do fígado obtidas por um exame de ultrassonografia podem sugerir a presença da esteatose hepática. Na ultrassonografia, um fígado esteatótico vai produzir uma imagem mais brilhante e granulado. Em alguns casos uma biópsia do fígado pode ser solicitada, onde um pequeno pedaço do fígao é coletado com uma agulha e examinado pelo microscópio, para procurar sinais de inflamação ou de cicatrização (fibrose).

Qual o prognóstico da esteatose hepática?
A esteatose hepática pode ser considerada reversível até certo ponto, removendo-se ou reduzindo-se os fatores agressores, sejam químicos ou nutricionais e tratando qualquer causa endócrina.

Como é realizado o tratamento?
O tratamento é direcionado pela causa, o que envolve modificações de hábitos de vida, sendo cruciais para a melhor resposta ao tratamento.

Como você pode auxiliar no tratamento?
– Perder peso. Caso você esteja com sobrepeso ou obeso, reduza o número de calorias ingeridas diariamente e aumente as atividades físicas para auxiliar nessa tarefa. Tente traçar uma meta de perder 1-2kg por semana, caso você já tenha tentado perder peso no passado e não foi bem sucedido, pode ser necessário a ajuda médica ou de um nutricionista.
– Escolha uma dieta saudável. Alimente-se com uma dieta rica em frutas e vegetais. Diminua a quantidade de gorduras em sua dieta, inclua nela alimentos integrais.
– Exercite-se, seja mais ativo. Procure se exercitar pelo menos 30 minutos ao dia, pelo menos na maior parte dos dias da semana. Incorpore mais atividades físicas no seu dia. Tente andar mais pelas escadas ao invés do elevador, caminhe distâncias curtas ao invés de ir de ônibus ou carro. Inicie devagar, não tente resolver tudo de um mês para outro.
– Controle o diabetes. Caso seja diabético, siga as instruções de seu médico. Tome sua medicação conforme orientado, monitore seus níveis sanguíneos de açúcar.
– Baixe seu colesterol. uma dieta saudável baseada em frutas e verduras, exercícios físicos e medicações ajudam a manter seus colesterol e triglicerídeos em níveis saudáveis.
– Proteja seu fígado. Evite substâncias que causem mais dano ao seu fígado. Não beba álcool. Cuide com medicações e chás comprados sem receita médica.

 

Hemorroidas : Quais as opções de Tratamento?

Hemorroidas são veias ao redor do ânus ou do reto que se inflamam ou dilatam.

Durante o movimento intestinal, essas veias dilatam-se e retraem-se, geralmente voltando ao tamanho normal. No entanto, o esforço repetido para evacuar, seja por intestino preso (obstipação) ou fezes endurecidas, pode dificultar o processo de drenagem do sangue e provocar a formação de hemorroidas.

As hemorroidas podem ser externas ou internas. Quando externas, assemelham-se às varizes ou a pelotas de sangue e são visíveis na borda do ânus. Quando internas, localizam-se acima do esfíncter anal e causam sintomas mais agudos.

Causas

* Obstipação, vulgarmente conhecida como prisão de ventre;

*Gravidez: em virtude da pressão que o feto exerce sobre as veias da parte inferior do abdome;

* Obesidade: o excesso de peso também aumenta a pressão nas veias abdominais;

* Vida sedentária: diminui o estímulo para a digestão dos alimentos e a irrigação sanguínea do ânus;

* Componente genético: casos de hemorróidas na família podem indicar predisposição para desenvolver a doença. O inverso também é possível, isto é, desenvolvimento de hemorróidas sem que haja precedentes familiares;

* Dieta pobre em fibras e pequena ingestão de líquidos;

* Sexo anal: pode produzir fissuras numa região muito vascularizada.

Sintomas

* Coceira provocada por inchaço das veias o que aumenta a tensão sobre as terminações nervosas;

* Sangramento resultante do rompimento das veias anais (sinais de sangue aguado ou manchas de sangue perceptíveis na roupa íntima ou no papel higiênico);

* Dor ou ardor durante ou após a evacuação;

* Saliência palpável no ânus.

Tratamento

O tratamento para as hemorróidas pode ser:

a) Tópico ou local, com pomadas e supositórios;

b) Cirúrgico (hemorroidectomia), isto é, retirada das veias doentes. Por vezes, apenas a punção do coágulo que entope o vaso hemorroidário pode resolver o problema sem cirurgia;

c) Ligadura elástica: técnica que consiste no estrangulamento da veia afetada.

Recomendações

* Evite o papel higiênico que irrita e aumenta a inflamação. Lave a região anal e seque com toalha de algodão;

* Procure adotar uma dieta saudável à base de alimentos ricos em fibras e frutas frescas;

* Beba muito líquido, porém evite as bebidas alcoólicas;

* Respeite a necessidade de evacuar;

* Lembre-se: banheiro não é biblioteca. Permaneça sentado no vaso sanitário somente o tempo necessário para evacuar. Se não conseguir naquele momento, tente mais tarde. Procure relaxar. Muito esforço afetará as veias que podem já estar enfraquecidas;

* Evite permanecer muito tempo na mesma posição. Caminhe sempre que possível, inclusive no local de trabalho;

* Tome banhos de assento mornos: podem aliviar os sintomas;

* Faça compressas de gelo: ajudam a aliviar os sintomas e a eliminar o inchaço.

Advertência

Hemorroidas não costumam constituir um problema muito sério de saúde. Entretanto, procure imediatamente assistência médica nos seguintes casos:

* Sangramento anal intenso acompanhado ou não de fezes;

* Sangramento que persiste por uma semana ou mais;

3)Endurecimento da saliência externa que se formou no ânus.