A Cirrose tem cura?

A Cirrose tem cura?

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A cirrose hepática é uma doença de evolução prolongada que conduz à destruição do fígado. É também chamada de doença hepática crônica e caracteriza-se pela morte das células do fígado, com aparecimento de cicatrizes (fibrose) e alteração da sua estrutura. O fígado fica com uma consistência muito dura e cheio de nódulos. Essa alteração na estrutura compromete a circulação do fígado e afeta a sua função. É uma doença muito importante porque o fígado desempenha múltiplas funções. Geralmente acometem cerca de 2% ao ano dos pacientes com doenças hepáticas de longa duração. A cirrose é a nona causa de morte e termos gerais, mas é a quarta de morte precoce, ou seja, antes dos 65 anos. Destes números, o álcool é o principal responsável.

1. Quais as causas da Cirrose Hepática?

Como se referiu, a causa mais frequente é a cirrose alcoólica, seguida pela hepatite C e pela hepatite B. Outras causas mais raras são as doenças do fígado associadas à obesidade, a cirrose biliar primária, as hepatite auto-imunes, a doença de Wilson, a hemocromatose, o défice de alfa 1-antitripsina, as anomalias das vias biliares e a colangite esclerosante primária.

2. Quais são os sintomas da Cirrose Hepática?

Na fase inicial, não existem quaisquer sintomas associados à cirrose. Os sintomas mais precoces costumam ser a fadiga, perda de energia, perda de apetite e de peso, náuseas, dores abdominais e pequenos sinais hemorrágicos na pele em forma de “aranha”. Podem ocorrer hemorragias mais facilmente ou formação de “nódoas-negras”. Na fase de descompensação, ocorrem diversos sinais e sintomas como:

  • icterícia (olhos e pele amarelados);
  • presença de ascite (barriga de água);
  • inchaço das pernas;
  • hemorragias digestivas sob a forma de vómitos ou fezes com sangue, mais frequentemente provocadas pela rotura de veias dilatadas no esófago (varizes esofágicas);
  • fezes descoradas (cor de massa de vidraceiro);
  • alterações mentais que podem levar a confusão mental, agressividade e mesmo coma (encefalopatia hepática);
  • desenvolvimento de infecções graves;
  • alterações hormonais com disfunção eréctil e aumento das glândulas mamárias no homem;
  • câncer do fígado (carcinoma hepatocelular ou hepatoma)

3. A Cirrose Hepática pode causar Câncer?

O risco de desenvolvimento de câncer do fígado na cirrose hepática é de cerca de 1 a 4% por ano. Este carcinoma apresenta elevada mortalidade se for diagnosticado numa fase avançada. Por esse motivo, é muito importante que todos os doentes com cirrose realizem uma ecografia abdominal de seis em seis meses, para que o tumor seja diagnosticado ainda com pequenas dimensões. Nesses casos, existem alguns tratamentos eficazes, como o transplante hepático, a remoção cirúrgica, a radiofrequência, a alcoolização, a quimioembolização ou um medicamento (sorafenib), administrado por via oral.

4. Como é feito o diagnóstico da Cirrose Hepática?

O diagnóstico assenta no exame médico associado a exames laboratoriais, ecografia e/ou tomografia computadorizada abdominal. Em alguns casos, remove-se um pequeno fragmento do fígado, através de uma agulha, para exame microscópico. Este exame corresponde à biópsia hepática. Existe outro exame mais recente, semelhante à ecografia, chamado elastografia hepática, que pode ser muito útil no diagnóstico da cirrose, dispensando, em alguns casos, a biópsia.

5. A Cirrose Hepática tem Cura?

As chances de cura irão depender da fase em que a doença se encontra e quais as opções de tratamento da doença que causou a cirrose. Para a hepatite C, existem medicamentos que eliminam o vírus em mais de metade dos casos, impedindo o agravamento da cirrose e, por vezes, proporcionando a sua regressão. Para a hepatite B é também possível o controle do vírus, na grande maioria dos casos, utilizando diversos tipos de medicamentos antivirais e moduladores do sistema imune. Para a hepatite auto-imune, utilizam-se corticoides. Na fase de descompensação, o tratamento dependerá dos sintomas e das complicações presentes. Com frequência, esse tratamento é realizado em ambiente hospitalar. Nos casos mais graves, em que o fígado é incapaz de exercer as suas funções, o transplante hepático, caso não existam contra-indicações, é uma alternativa.

6. Como previnir o desenvolvimento da CIRROSE?

A prevenção da cirrose hepática passa por evitar todos os factores a ela associados. Assim, é importante:

  • não consumir bebidas alcoólicas em excesso;
  • fazer a vacina contra a hepatite B;
  • utilizar preservativo no caso de múltiplos parceiros ou relações sexuais de risco;
  • evitar o excesso de peso a manter sempre uma dieta equilibrada e saudável.
O que causa o Câncer no Aparelho Digestivo?

O que causa o Câncer no Aparelho Digestivo?

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1. Vamos primeiro entender o que é o Câncer…

O câncer é um grupo de várias doenças caracterizado por um série de alterações nas células de nosso organismo, levando a um crescimento anormal dessas células. Todos os nossos órgãos e tecidos (pulmão, mama, próstata, intestino, etc..) são constituídos por células que se dividem normalmente para reposição e crescimento do organismo. Por uma série de fatores, algumas dessas células ficam doentes e seu crescimento torna-se descontrolado, normalmente acelerado. O acúmulo dessas células pode levar a formação de um tumor, que pode ou não ser visível. Mas nem todo o tumor é um câncer: existem aqueles tumores feitos por um acúmulo de células normais (os tumores benignos). No entanto, quando ele é formado por essas células doentes e descontroladas (cancerígenas), ele é um tumor maligno. Ás vezes o câncer também não forma tumores, como no caso das leucemias, em que as células doentes ficam circulando pelo sangue. O câncer pode se originar em praticamente todos os tecidos no nosso organismo. O nome “completo” do câncer vem justamente do local em que ele se formou (por exemplo, câncer de próstata e câncer de estômago, quando começam na próstata e no estômago, respectivamente) e do tipo de tecido que deu origem a ele (por exemplo, carcinomas, sarcomas, etc…). Mesmo quando o câncer se espalhou por outros órgãos o nome do câncer e o seu tratamento são baseados no local de origem. Por exemplo, se um paciente com câncer de tireóide possui células doentes espalhadas no pulmão, essas células que formaram a metástase no pulmão não são um câncer de pulmão, mas continuam sendo um câncer de tireóide.

2. Mas Doutor qual a Causa do Câncer no Aparelho Digestivo?

É muito comum que as pessoas envolvidas com um diagnóstico de câncer procurem um causa “culpada” para a origem do problema. Dessa forma, seria mais fácil entender e combater o problema. No entanto, é muito importante notar que o câncer é uma doença complexa, possuindo várias causas. As nossas células normais estão a todo momento se dividindo, crescendo, envelhecendo e também morrendo durante nossa vida, sendo constantemente substituídas por novas células. Existe um complexo sistema que rege a “normalidade” desse processo, controlando nosso DNA e nossas proteínas. De uma maneira muito simples, seria como se imaginássemos uma linha de montagem da mais moderna máquina do mundo, com várias peças e componentes. Vários fatores podem interferir nesse equilíbrio gerando erros, os quais danificam o produto final, dando origem a um produto “defeituoso”, a célula do câncer. O câncer possui inúmeras mutações, que são defeitos no código genético, ou DNA. Portanto, uma das causas mais importantes do câncer são os defeitos genéticos em si. Em alguns casos, eles já vieram como herança de nossos pais, por isso a história familiar e o componente genético hereditário pode ser um elemento da origem do câncer em alguns casos. Mas na grande maioria dos casos, essas mutações são adquiridas ao longo de nossas vidas, o que pode ocorrer pelo próprio envelhecimento de nossas células, por fatores agressivos do ambiente (como o fumo, a radiação solar, alguns produtos químicos), por infecções virais e por fatores nutricionais. E como o equilíbrio de nosso organismo pode ser abalado por outros fatores como stress, obesidade, sedentarismo, má alimentação dentre outros, cada vez mais reconhecemos que esses fatores podem ter um papel no surgimento do câncer. É importante lembrar que nesse caso não há risco de transmissão destas alterações genéticas para os seus descendentes.

3. Quando devemos suspeitar do diagnóstico do câncer?

O diagnóstico de câncer pode frequentemente se originar da investigação de novos sintomas desenvolvidos por uma pessoa. Seu médico pode solicitar exames para descobrir porque você desenvolveu determinado sintoma, sendo que essa investigação pode levar a um diagnóstico final de câncer. Em alguns casos o paciente pode não ter sintoma algum relacionado ao câncer. Isso ocorre nos casos em que são feitos exames preventivos para detecção precoce do câncer, como no caso da colonoscopia para o câncer de intestino, mamografia para o câncer de mama, exame de Papanicolau para câncer de colo de útero e exame de PSA para câncer de próstata. Existem recomendações específicas para cada um desses exames e é importante que você se informe com seu médico, já que a prevenção e diagnóstico precoce são fundamentais para aumentar as chances de cura de certos tumores. Em alguns casos, o câncer pode ser encontrado ao acaso, devido a exames realizados para acompanhar outras doenças. Para a maioria dos cânceres, o diagnóstico definitivo da doença ocorre apenas com a obtenção de uma biópsia, que é a remoção de um pequeno fragmento de tecido para estudo. Em vários casos esse exame pode ser fundamental para o planejamento do tratamento, e deve-se aguardar seu resultado. Após o diagnóstico, seu médico pode precisar de exames adicionais dependendo do tipo e da extensão do tumor. Esses podem ser exames de sangue para avaliar o funcionamento da medula óssea, dos rins e do fígado, exames de imagem (como raio-X, tomografias, ressonância e PET-CT) para avaliar a extensão do tumor e outros. Para cada situação existem os exames necessários, portanto, eles podem variar de paciente para paciente. Por exemplo, para vários tipos de câncer o PET-CT não está indicado, e sua informação pode não ser útil no planejamento do tratamento. É importante que o seu médico tenha as informações diagnósticas corretas para definir seu tratamento, mesmo que seja necessário aguardar alguns dias a mais, pois isso pode potencializar as chances de sucesso.

4. A sua História é Única, CALMA.

Sem dúvida uma das situações mais temidas pelas pessoas é comparecer ao seu médico e ouvir a palavra câncer. Existem vários mitos sobre essa doença, sendo que em uma primeira impressão pode haver um choque com a notícia e uma turbilhão de sentimentos e emoções. É importante que você tenha um momento inicial para absorver o diagnóstico e então buscar apoio nos familiares e profissionais para os próximos passos necessários. Como foi dito, o câncer é um conjunto de doenças com uma variação enorme de sintomas, evolução e tratamentos, o que acaba tornando cada indivíduo único. Portanto, é mais provável que a experiência de outras pessoas não se apliquem completamente a uma pessoa com um novo diagnóstico. Nessa situação é fundamental que o paciente busque informações confiáveis de fontes médicas reconhecidas, algumas delas disponíveis inclusive na Internet. Entretanto, como o conteúdo da Internet não é controlado, é preciso ter muito cuidado com a procedência da informação. Após o diagnóstico de câncer do Aparelho Digestivo, é muito importante que o paciente encontre um Cirurgião Digestivo de confiança, pois cada vez mais o diagnóstico e o tratamento desse conjunto de doenças está mais complexo. Escolha profissionais com formação sólida, e busque informações com familiares e outros pacientes. O paciente pode experimentar uma complexa variação de sentimentos e emoções ao longo do processo de diagnóstico e tratamento. Além de comunicar isso com os profissionais médicos, dividir sentimentos com amigos e familiares é bastante útil, sendo que em alguns casos há necessidade de ajuda especializada.

5. “Doutor, o meu câncer tem cura?”

Essa é uma das dúvidas mais comuns após o diagnóstico inicial de um câncer. Vale entender que a “cura” é na verdade um processo contínuo em que o câncer precisa diminuir, desaparecer e também nunca mais voltar. Então, qualquer resposta definitiva normalmente depende de um período de tempo. Existe sim uma variação nas chances de obter sucesso em cada um desses passos, e em muitos casos ela pode ser muito alta. Características individualizadas, como o tipo e a extensão do tumor, a saúde em geral do paciente, e o emprego do tratamento mais adequado, dentre outros, podem ter influência nas chances de sucesso. Algumas pessoas preferem receber mais informações, incluindo estatísticas, e outras menos. É importante reconhecer essa preferência individual e encontrar uma equipe preparada em lhe conduzir por cada um desses passos. Mantenha seu estímulo para realizar o tratamento mais adequado possível, mesmo que o cenário pareça mais complicado do que você teria imaginado. Por mais difícil e sério que seja o cenário particular, existem várias razões para boas esperanças. Ao longo dos últimos anos, grandes avanços foram obtidos no tratamento e cuidado dos sintomas das pessoas com câncer, e logicamente espera-se que novas conquistas ocorram no futuro. E a cada novo sucesso, seja do seu tratamento como dos avanços da ciência, as esperanças de cura são renovadas, mesmo quando elas pareciam distantes inicialmente.

Calculadora CHILD PUGH (Avaliação da Função Hepática)

CHILD.PUGH

Child e Turcotte, em 1964, analisaram 128 pacientes submetidos à cirurgia de descompressão portal para varizes de esôfago sangrantes. Foram pesquisadas as variáveis comuns dos pacientes que evoluíram mal. Cinco variáveis apresentaram significância: desnutrição, encefalopatia, ascite, hipoalbuminemia e hiperbi-lirrubinemia. Dez anos depois, Pugh e Murray-Lyon descreveram os resultados da transecção esofágica para controle de hemorragia como ponte para descompressão portal. Pugh acrescentou o tempo de protrombina ao score e adicionou valores numéricos, entretanto, eliminou o estado nutricional. Os elementos clínicos e laboratoriais utilizados pelo score de Child-Turcotte-Pugh (CTP) avaliam as funções primárias do fígado. Todo o organismo estará em risco durante a doença hepática avançada. A classificação se refere à avaliação da gravidade em leve (A), moderada (B) ou grave (C). Porém somente a biopsia hepática serve para avaliar o estágio da doença como precoce ou avançada, pré-cirrótica e cirrótica. O estadiamento da doença está ligado amplamente a moléstias hepáticas crônicas, nas quais podem ocorrer progressão para cirrose e doença hepática terminal, mas cujo desenvolvimento pode demorar anos ou décadas. É um fator preditivo razoavelmente confiável de sobrevida de várias doenças hepáticas e antecipa a probabilidade de complicações importantes da cirrose, como sangramento por varizes e peritonite bacteriana espontânea.

  • Child CG, Turcotte JG. Surgery and portal hypertension. Major Probl Clin Surg. 1964;1:1-85. PMID: 4950264.
  • Pugh RN, Murray-Lyon IM, Dawson JL, Pietroni MC, Williams R. Transection of the oesophagus for bleeding oesophageal varices. Br J Surg. 1973 Aug;60(8):646-9. PMID: 4541913.

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